Polícia Militar de Roraima
Companhia Independente de Policiamento Ambiental
CIPA Monte Roraima

Defeso da pesca em Roraima

“Respeitar o defeso é garantir o peixe de amanhã.”

Os peixes da nossa bacia, o período que deve ser respeitado, o que a lei permite — e como o turismo de pesca depende disso.

Lei 11.959/2009Lei 9.605/98 · arts. 34–35Portaria IBAMA 48/2007ANA · FEMARH · MTur
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“SAPIENTIA CUSTOS NATURAE”A sabedoria é a guardiã da natureza

Cardume de peixes em água rasa e clara de rio amazônicoCardume em rio amazônico · Cichla temensis
Parte I · Os peixes

Na piracema, o peixe sobe o rio para nascer de novo.

Uma malhadeira atravessada no caminho não pega só o peixe de hoje — pega o de amanhã e o do ano que vem.

🔎 Entenda melhor

Piracema é a subida dos peixes rio acima para se reproduzirem. Uma única malhadeira atravessada nesse caminho não pega só o peixe de hoje: pega a desova de uma geração inteira.

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Foto: Nick Tobler (Cowturtle), CC BY 4.0 (Wikimedia Commons).

Roteiro

Do peixe ao pescador: o que você vai levar desta palestra

Toque em cada etapa para ver o que ela aborda.

I
Parte I

Os peixes

A riqueza da bacia do Rio Branco — e por que ela precisa de uma pausa.

Parte I · Bacia do Rio Branco

Uma riqueza que se renova todo ano — se deixarmos

Bacia do Rio Branco196.974 km²
Em Roraima91%
Tucunaré-açu (Cichla temensis)
Tucunaré-açuCichla temensis
Pirarucu (Arapaima gigas)
PirarucuArapaima gigas
Tambaqui (Colossoma macropomum)
TambaquiColossoma macropomum
Matrinxã (Brycon amazonicus)
MatrinxãBrycon amazonicus
Jaraqui (Semaprochilodus insignis)
JaraquiSemaprochilodus insignis
Surubim (Pseudoplatystoma fasciatum)
SurubimPseudoplatystoma fasciatum
Pirarara (Phractocephalus hemioliopterus)
PirararaPhractocephalus hemioliopterus
Aruanã (Osteoglossum bicirrhosum)
AruanãOsteoglossum bicirrhosum
🔎 Entenda melhor

Tucunaré-açu é o astro do turismo; pirarucu é o maior peixe de escamas de água doce do mundo e tem defeso próprio; tambaqui, matrinxã e jaraqui estão na mesa do roraimense; surubim e pirarara são os grandes bagres. Todos dependem da piracema e da cheia para se reproduzir.

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Fotos (Wikimedia Commons): Tucunaré-açu — Diogo Luiz, CC BY-SA 4.0 · Pirarucu — T. Voekler, CC BY-SA 3.0 · Tambaqui — Bloopityboop, CC BY-SA 4.0 · Matrinxã — Diogo Luiz, CC BY-SA 4.0 · Jaraqui — Cliff, CC BY 2.0 · Surubim — Chrumps, CC BY-SA 4.0 · Pirarara — Cliff, CC BY 2.0 · Aruanã — Cliff, CC BY 2.0. Bacia: SGB.

II
Parte II

O defeso

Quando é, por que Roraima é diferente e o caso do pirarucu.

Mas por que justamente nessa época?

Parte II · O que é o defeso

O defeso começa quando o rio começa a subir — é a hora em que o peixe se reproduz

Em Roraima1º mar → 30 jun

quatro meses sem pesca comercial em todos os rios do estado

Rio Branco em Boa Vista · cota média mensal (cm)

Toque em um mês para ver a cota · série 1968–2023

Subida média do rio · mar → jul: ≈ 4 metros · de 138 a 538 cm.

Lei 11.959/2009 · art. 2º, XIX

Defeso é a “paralisação temporária da pesca para a preservação da espécie, tendo como motivação a reprodução e/ou recrutamento”.

🔎 Entenda melhor

Defeso, pela Lei 11.959/2009, é a paralisação temporária da pesca para a preservação da espécie, motivada pela reprodução ou pelo recrutamento (a entrada dos jovens no estoque).

Em Roraima ele vai de 1º de março a 30 de junho: exatamente quando o Rio Branco começa a subir. O rio sobe quase 4 metros; a água invade igapós e campos alagados, e é ali que os peixes desovam e os filhotes crescem.

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Fontes: Lei 11.959/2009, art. 2º, XIX; Portaria IBAMA 48/2007, Anexo I; ANA/HidroWeb — estação 14620000 (Rio Branco, Boa Vista), cota média mensal 1968–2023; IN IBAMA 34/2004 (pirarucu).

Porque em Roraima o calendário é diferente.

Parte II · Calendário do defeso

Roraima fica no hemisfério Norte: o nosso defeso começa quando o dos vizinhos termina

Períodos de defeso

Roraima · geral
122dias

1º de março a 30 de junho

Roraima · pirarucu
184dias

1º de março a 31 de agosto

AC · AM · AP · PA · RO
15 nov → 15 mar

calendário oposto ao de Roraima

🔎 Entenda melhor

Ponto que confunde muita gente, inclusive turistas de pesca: no restante da Amazônia o defeso vai de 15 de novembro a 15 de março. Roraima fica no hemisfério Norte, a cheia chega em outra época, então o nosso defeso é de 1º de março a 30 de junho. Quem vem de Manaus pensando que a pesca abriu em 16 de março está errado aqui.

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Fontes: Portaria IBAMA 48, de 05/11/2007, Anexo I (períodos por estado); IN IBAMA 34/2004 (pirarucu em Roraima: 1º/03 a 31/08).

Parte II · Pirarucu · IN IBAMA 34/2004

O gigante da Amazônia tem defeso até 31 de agosto — e só pode ser pescado acima de 1,50 m

Pirarucu (Arapaima gigas)
Pirarucu · Arapaima gigas
Defeso em RR1º mar → 31 ago
Tamanho mínimo de captura1,50 m
⚖ Entenda a regra

Defeso em RR · 1º mar → 31 ago: captura, transporte e venda proibidos.

Exceção: piscicultura registrada, com comprovação de origem.

Tamanhos mínimos de captura

O pirarucu tem norma própria (IN IBAMA 34/2004). Em Roraima, sua pesca é proibida de 1º de março a 31 de agosto — dois meses a mais que as outras espécies. Fora do defeso, só pode ser capturado com pelo menos 1,50 m. Manta fresca com menos de 1,20 m ou seca com menos de 1,10 m indica peixe pequeno: é infração.

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Fonte: IN IBAMA nº 34, de 18/06/2004 — normas gerais para a pesca do pirarucu. Foto: T. Voekler, CC BY-SA 3.0 (Wikimedia Commons).

III
Parte III

A lei

Quem pode pescar, com o quê, quanto — e o que acontece com quem não respeita.

E quem ainda pode pescar?

Parte III · Lei 11.959/2009, art. 8º

Cinco tipos de pesca — e o que cada um pode fazer durante o defeso

Toque em cada tipo para ver a definição.

Pesca comercial · para no defeso
AArtesanalpara no defeso

Pescador profissional, autônomo ou em economia familiar, com embarcação de pequeno porte. Recebe seguro-defeso.

IIndustrialpara no defeso

Empresa ou armador, com pescadores profissionais empregados e barcos de médio ou grande porte.

Pesca não comercial · com limites
SSubsistênciaaté 10 kg/dia no defeso

Consumo doméstico ou escambo, sem lucro — até 10 kg/dia no defeso.

AAmadora5 kg + 1 exemplar · só linha e anzol

Lazer ou esporte, com licença — até 5 kg + 1 exemplar, só linha e anzol.

CCientíficacom autorização

Pesquisa, com autorização do órgão ambiental.

Portaria IBAMA 48/2007 · art. 4ºCampeonatos e torneios de pesca em águas continentais são proibidos durante o defeso.
🔎 Entenda melhor

A Lei da Pesca divide a pesca em comercial (artesanal e industrial) e não comercial (científica, amadora e de subsistência). No defeso, a comercial para. A amadora continua só com linha e anzol, com cota. A de subsistência continua, com limite de 10 kg por dia. A científica depende de autorização.

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Fontes: Lei 11.959/2009, art. 8º; Portaria IBAMA 48/2007, arts. 2º a 4º; Lei 10.779/2003 (seguro-defeso).

Agora vem uma diferença importante.

Parte III · O que é pesca de subsistência

Subsistência é pescar para comer — não para vender. E tem limite: 10 kg por dia

Lei 11.959/2009 · art. 8º, II, “c”

Pesca de subsistência é a “praticada com fins de consumo doméstico ou escambo sem fins de lucro”, com petrechos previstos em legislação específica.

Quanto cada um pode levar por dia no defeso

Subsistênciaribeirinhos · por dia
Amadora (licenciada)linha e anzol
Comercialartesanal ou industrial
Deixa de ser subsistência quando há
  • venda ou encomenda
  • malhadeira ou rede na água
  • quantidade acima de 10 kg
  • pescado estocado para transporte
⚖ Portaria IBAMA 48/2007 · art. 3º

No defeso, permitida às populações ribeirinhas e/ou tradicionais, praticada artesanalmente: até 10 kg de peixe por dia.

⚖ Lei 9.605/98 · art. 37, I

Não é crime o abate para saciar a fome do agente ou de sua família — estado de necessidade real.

🔎 Entenda melhor

Subsistência é para comer em casa ou trocar, sem lucro. No defeso, a Portaria 48 permite às populações ribeirinhas e tradicionais até 10 kg por dia, com petrechos artesanais simples. Se há venda, freezer cheio, gelo em caixa térmica para transporte, ou malhadeira na água, já não é subsistência. E o art. 37 da Lei 9.605 não considera crime o abate para saciar a fome do agente ou da família — estado de necessidade real, não desculpa.

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Fontes: Lei 11.959/2009, art. 8º, II, “c”; Portaria IBAMA 48/2007, art. 3º e § 1º; Lei 9.605/1998, art. 37, I — textos no Planalto e no IBAMA, consulta em 23/09/2026.

Parte III · Petrechos no defeso

No defeso, só linha e anzol. O que cerca, arrasta ou emalha fica em terra

✓ Permitido no defeso

  • Linha de mão
  • Vara, linha e anzol — caniço
  • Molinete e carretilha
  • Iscas naturais e artificiais
  • Respeitando a cota: 10 kg (subsistência) ou 5 kg + 1 exemplar (amador)
O ano todo

Explosivos e substâncias tóxicas (timbó e similares): reclusão de 1 a 5 anos.

Caminhonete carregada de malhadeiras apreendidas em fiscalização de defeso
Malhadeiras apreendidas · jan/2026 — fiscalização do defeso nos rios de Rondônia
📷 Ver mais registros
Canoas apreendidas em fiscalização de defeso
Embarcações apreendidas
🔎 Entenda melhor

No defeso, a Portaria 48 só admite linha de mão ou vara, linha e anzol (inclui caniço, molinete e carretilha). Tudo o que cerca, arrasta ou emalha fica proibido. Explosivos e substâncias tóxicas, como o timbó, são proibidos o ano inteiro e têm pena maior: reclusão de 1 a 5 anos.

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Fontes: Portaria IBAMA 48/2007, art. 2º (linha de mão ou vara, linha e anzol); Lei 9.605/1998, arts. 34, II, e 35. Fotos: Sedam-RO/arquivo — fiscalização do defeso nos rios de Rondônia, jan/2026.

Parte III · O que a malhadeira mata

A malhadeira não escolhe: peixe ovado, filhote, boto, peixe-boi, tartaruga

Filhote de peixe-boi resgatado após ficar preso em malhadeira
Filhote de peixe-boi preso em malhadeira · INPA
Como ela mataParede de rede quase invisível na água turva. O animal enrosca pelas guelras ou nadadeiras — e o que precisa respirar na superfície morre afogado.
Boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis)
BotoInia geoffrensis
Tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa)
Tartaruga-da-amazôniaPodocnemis expansa
Peixe-boi-da-amazônia em tanque de reabilitação
Peixe-boi-da-amazôniaem tanque de reabilitação
🔎 Entenda melhor

A malhadeira é uma parede invisível na água: tudo que tenta passar fica preso pelas guelras ou nadadeiras e morre afogado ou estressado. Não escolhe espécie, tamanho nem se o peixe está ovado. Pega também boto, peixe-boi e quelônios, que precisam subir para respirar. O INPA recebe filhotes de peixe-boi presos em malhadeiras armadas no capinzal e nas bordas do igapó.

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Fontes: INPA/Laboratório de Mamíferos Aquáticos, via Portal Amazônia (19/06/2018) — filhotes de peixe-boi presos em malhadeiras. Fotos: Divulgação/INPA; Dan Riskin, CC BY 4.0; Whaldener Endo, CC BY-SA 4.0; KCO3, domínio público.

E se a regra for desrespeitada?

Parte III · Lei 9.605/1998 e Decreto 6.514/2008

Pescar no defeso é crime — e quem compra, transporta ou vende responde junto

Lei 9.605/98 · art. 34 Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente Detenção de 1 a 3 anos ou multa, ou ambas
Entenda o artigo

Mesma pena para quem pesca espécie protegida ou abaixo do tamanho, acima da cota ou com petrecho proibido — e para quem transporta, comercializa ou beneficia esse pescado.

Lei 9.605/98 · art. 35

Pescar com explosivos ou substâncias tóxicas

Reclusão de 1 a 5 anos
Entenda o artigo

Inclui substâncias que, em contato com a água, produzam efeito semelhante. Vale o ano inteiro.

Decreto 6.514/08 · art. 35
R$ 700 a R$ 100.000

MULTA ADMINISTRATIVA

+ R$ 20 por kg de pescado apreendido
Veja o que mais acontece

E mais: apreensão do pescado, dos petrechos e da embarcação; malhadeiras apreendidas são destruídas. Comerciantes devem declarar seus estoques ao órgão ambiental e só transportam pescado com comprovante de origem.

🔎 Entenda melhor

Três camadas: o crime (Lei 9.605, art. 34 — detenção de 1 a 3 anos ou multa, ou ambas), o crime mais grave com explosivos ou tóxicos (art. 35 — reclusão de 1 a 5 anos) e a infração administrativa (Decreto 6.514, art. 35 — multa de R$ 700 a R$ 100 mil, mais R$ 20 por quilo). Quem transporta, vende ou beneficia peixe do defeso responde igual a quem pescou.

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Fontes: Lei 9.605/1998, arts. 34 e 35; Decreto 6.514/2008, art. 35 — Planalto, consulta em 23/09/2026; Portaria IBAMA 48/2007, arts. 5º a 7º.

Parte III · Quanto custa pescar no defeso

Cada quilo pesa no bolso: a multa mínima sobe R$ 20 por quilo de peixe

Fórmula · multa mínimaR$ 700 + R$ 20 × kg

Decreto 6.514/2008, art. 35

Escolha a quantidade de pescado

R$ 700 + R$ 20 × 50 kgR$ 1.700multa mínima

Valores do gráfico calculados sobre o mínimo legal.

Canoa com 200 kg · R$ 4.700Só a multa mínima — sem contar o processo criminal. Além da multa: perda do pescado, das redes e da embarcação, e processo pelo art. 34 da Lei 9.605.
🔎 Entenda melhor

A multa mínima é R$ 700 mais R$ 20 por quilo. Uma caixa térmica com 50 kg já dá R$ 1.700; uma canoa com 200 kg, R$ 4.700; 500 kg, R$ 10.700 — e isso é o mínimo, antes do processo criminal e da perda dos petrechos e do barco.

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Fonte: Decreto 6.514/2008, art. 35 (multa de R$ 700 a R$ 100.000, com acréscimo de R$ 20 por quilo ou fração). Valores do gráfico calculados sobre o mínimo legal.

Veja um caso real no Rio Branco.

Estudo de caso · FEMARH com apoio da CIPA · jun/2025

272 malhadeiras escondidas no igapó — achadas com drone e destruídas

📍 Caso real · 16 a 30 jun 2025
Malhadeiras apreendidas sendo incineradas por equipes da FEMARH e da CIPA
Malhadeiras incineradas · Rio Branco · jun/2025
272MALHADEIRAS · 16 A 30 JUN 2025

Cada losango é uma rede que deixou de matar.

1 · OndeCorredeira do Bem Querer (Iracema) e comunidade Vista Alegre
2 · ComoRedes escondidas em igapós e descaídas — localizadas com drones
📷 Ver mais registros
Equipes com malhadeiras apreendidas nas embarcações
Apreensão no Rio Branco · jun/2025
📍 Entenda o caso

Caso real com participação da CIPA: de 16 a 30 de junho de 2025, final do defeso, a FEMARH com apoio da CIPA apreendeu e destruiu 272 malhadeiras no Rio Branco, sobretudo na Corredeira do Bem Querer (Iracema) e perto da comunidade Vista Alegre. As redes estavam escondidas em igapós e descaídas; drones ajudaram a achá-las.

📚 Ver fonte

Fonte e fotos: Folha BV, 30/06/2025 (“Mais de 270 malhadeiras de pesca são destruídas em fiscalização no Rio Branco”) — Divisão de Fiscalização da FEMARH com apoio da CIPA/PMRR. Fotos: Ascom/Femarh.

Rio Branco em CaracaraíRio Branco · Caracaraí · RR

Quatro meses de pausa garantem oito meses de peixe.

O rio devolve o que a gente deixa ele recompor.

Foto: Túllio F, 2021, CC BY-SA 4.0 (Wikimedia Commons).

IV
Parte IV

Turismo

Roraima virou destino de pesca esportiva — e isso depende do rio cheio de peixe.

Parte IV · Turismo de pesca nos rios amazônicos

Roraima virou destino de pesca esportiva — e o turista vem atrás de rio cheio de peixe

Barco-hotel de pesca esportiva navegando em rio amazônico ao pôr do sol
Barco-hotel · pesca esportiva · Amazônia
MTur · Boletim de Inteligência de Mercado · set/2025
Praticantes no Brasil9 milhões
Empregos gerados+200 mil
Rios destacados pelo MTur em Roraima
UraricoeraTacutuMucajaíAnauáCatrimaniÁgua Boa do Univini

Espécies-estrela: tucunaré-açu, jaú e pirarara · polos em Caracaraí e Rorainópolis.

⚠ Atenção à temporadaA temporada divulgada inclui janeiro a março — e março já é defeso em Roraima: só linha e anzol, cota de 5 kg + 1 exemplar e nenhum torneio.
Jaú (Zungaro zungaro)
JaúZungaro zungaro
Pirarara (Phractocephalus hemioliopterus)
PirararaPhractocephalus hemioliopterus
🔎 Entenda melhor

O Ministério do Turismo (Boletim de Inteligência de Mercado, 12ª edição, set/2025) destacou Roraima como destino promissor da pesca esportiva, com os rios Uraricoera, Tacutu, Mucajaí, Anauá e Catrimani, em especial Caracaraí e Rorainópolis. Espécies-estrela: tucunaré-açu, jaú e pirarara. No país, a pesca esportiva envolve cerca de 9 milhões de praticantes e mais de 200 mil empregos.

Atenção: a temporada indicada vai de janeiro a março e de setembro a dezembro — março já é defeso em Roraima: só pesca amadora com linha e anzol, dentro da cota, e sem torneios.

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Fontes: MTur — Boletim de Inteligência de Mercado no Turismo, 12ª ed. (set/2025), via Folha BV, 04/09/2025; Portaria IBAMA 48/2007. Fotos: Marta Mitie Ogawa, CC BY-SA 4.0; Waltman30, CC BY-SA 4.0; Cliff, CC BY 2.0.

Parte IV · Regras locais e boas práticas

No Baixo Rio Branco, tucunaré é para o turismo e para a mesa do ribeirinho — não para o comércio

ALE-RR · aprovada em 18/12/2024

Pesca do tucunaré em 5 rios

Água Boa do UniviniItaparáXeriuiniAnauáJufari
✓ Permitido

subsistência dos ribeirinhos · pesca esportiva, com taxa

✕ Proibido

pesca comercial · pesca amadora

Tucunarés capturados
Tucunaré-açu · Cichla temensis

Pesque e solte bem feito

  1. 1
    Anzol sem farpa

    desengata rápido e machuca menos.

  2. 2
    Alicate e mãos molhadas

    protegem o muco que defende o peixe.

  3. 3
    Pouco tempo fora d’água

    foto rápida, peixe na horizontal, sem apertar a barriga.

  4. 4
    Solte na água, não jogue

    segure até ele sair nadando sozinho.

  5. !
    No defeso

    linha e anzol, cota e nada de torneio.

🔎 Entenda melhor

Em 18/12/2024 a ALE-RR aprovou a regulamentação da pesca do tucunaré em cinco rios do Baixo Rio Branco: Água Boa do Univini, Itapará, Xeriuini, Anauá e Jufari. Comercial e amadora ficam proibidas; seguem permitidas a subsistência e a esportiva (com taxa paga pelo turista, revertida às comunidades). A FEMARH faz estudos técnicos.

O pesque e solte bem feito só funciona se o peixe volta vivo.

📚 Ver fonte

Fontes: Folha BV e Portal Norte, 19/12/2024 (nova regulamentação da pesca do tucunaré); ALE-RR, audiências públicas de out–nov/2024. Boas práticas de pesque e solte: orientação geral. Foto: Diogo Luiz, CC BY-SA 4.0.

V
Parte V

Seu papel

Seguro-defeso, o que fazer e como denunciar.

Parte V · Seguro-defeso · Lei 10.779/2003

O pescador artesanal recebe para não pescar — e perde o benefício se pescar

Famílias na pesca artesanal · RR≈ 12.000

segundo o governo estadual (2024)

Valor do benefício1 salário mínimo

por mês de defeso

Fraude5 anos

de suspensão do registro de pescador

Quem tem direito
  • Pescador artesanal profissional, sozinho ou em família
  • Registro no RGP há pelo menos 1 ano
  • Pesca como atividade exclusiva e sem outra renda
O benefício é cancelado se
  • desrespeitar o defeso
  • começar atividade remunerada ou ter outra renda
  • prestar informação falsa
🔎 Entenda melhor

O pescador artesanal profissional, com registro no RGP há pelo menos um ano e dedicação exclusiva, recebe um salário mínimo por mês de defeso (Lei 10.779/2003). Em troca, não pode pescar. Quem desrespeita o defeso perde o benefício; quem frauda tem o registro suspenso por 5 anos. Em Roraima, cerca de 12 mil famílias dependem da pesca artesanal.

📚 Ver fonte

Fontes: Lei 10.779/2003, arts. 1º, 2º e 4º (Planalto, consulta em 23/09/2026); Revista Cenarium (nov/2024), dado do governo de Roraima sobre famílias dependentes da pesca artesanal.

Parte V · Seu papel

Quem pesca, quem compra e quem vê: cada um tem um papel no defeso

Toque no seu papel.

1Se você pesca

1º de março a 30 de junho: malhadeira em casa. Só linha e anzol, dentro da cota. Pirarucu, só a partir de setembro e acima de 1,50 m.

2Se você compra

No defeso, peça a origem. Peixe nativo sem comprovação é pescado ilegal — e quem transporta ou vende também responde.

3Se você organiza turismo

Informe o calendário de Roraima ao cliente, pratique pesque e solte e não marque torneio no defeso.

4Se você vê pesca ilegal

Anote o local, o horário e a embarcação; fotografe de longe, sem se expor — e denuncie.

Fiscalização no Rio Branco
Fiscalização no Rio Branco · jun/2025
🔎 Entenda melhor

Para quem pesca: conheça o calendário, deixe a malhadeira em casa. Para quem compra: peixe no defeso sem origem comprovada é pescado ilegal. Para quem vê: denuncie com local, horário e fotos. O ribeirinho que avisa protege o próprio sustento.

📚 Ver fonte

Fontes: Portaria IBAMA 48/2007; IN IBAMA 34/2004; Lei 9.605/1998, art. 34, parágrafo único, III; Ibama — página “Denúncias”. Foto: Ascom/Femarh.